07 Nov. 2019, 17h00

Trabalhadores vão à Assembleia e ao governo protestar contra corte nos incentivos fiscais

Montadora Caoa liberou 60% de seu quadro para se juntar a funcionários de outras nove empresas na manifestação em Goiânia

 

Cerca de mil trabalhadores de empresas de Anápolis, Catalão e Goiânia lotaram a porta da Assembleia Legislativa, quarta-feira (06/11), em protesto contra corte nos incentivos fiscais e a piora no ambiente de negócios, resultante de insegurança jurídica. Com faixas e palavras de ordem, eles pediam a manutenção dos empregos, diante do temor de demissões. Lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis (Sindmetana), Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão (Simecat) e Sindicato dos Motoristas Cegonheiros de Goiás (SMCEG) solicitaram a presença do deputado Humberto Aidar, relator da CPI dos Incentivos Fiscais, para conhecer a realidade dos trabalhadores que estavam ali reunidos. Também pediram para o governador Ronaldo Caiado dar uma satisfação sobre a retirada de investimentos do Estado.

Falando em nome dos sindicatos mobilizados, o presidente do Sindmetana, Reginaldo Faria, disse que o movimento, criado no fim de outubro e batizado Frente em Defesa do Emprego, é destinado a sensibilizar as autoridades. “Com essa insegurança jurídica, as empresas não têm firmeza para continuar fazendo investimentos no Estado, principalmente em Anápolis. Se isso continuar, vamos ter perdas, as empresas vão começar a demitir”, afirmou.

Funcionária da montadora Caoa, Mariza de Freitas Pedroso falou sobre a preocupação em perder o emprego, com a possibilidade de retirada dos incentivos. “Eu vim hoje não foi porque fui influenciada pelo sindicato. Eu vim para lutar pelo meu emprego. Já tenho mais de 50 anos e é muito difícil arrumar trabalho com essa idade. Eu preciso desse emprego, preciso que a empresa continue em Anápolis”, ressaltou.

Para Adeilton Mendes, que trabalha como keeper, a luta é pela comunidade, pela manutenção dos empregos. “Sou pai de família, se eu perder meu emprego, toda a minha família será prejudicada”, acrescentou.

Samara Gal Oliveira disse que seu primeiro emprego foi na montadora Caoa e que está preocupada com o futuro. “A gente não está falando só do meu emprego, mas sim de 1.400 empregos diretos e cerca de 3 mil indiretos. Se a empresa for embora de Anápolis, vai impactar muito na economia e na minha vida. Eu tenho um filho de 9 meses para sustentar. Os deputados precisam entender isso”, reforçou.

Os deputados Coronel Adailton, Adriana Accorsi, Gustavo Sebba e Amilton Filho foram conversar e apoiar os manifestantes. Após três horas de manifestação, o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira, recebeu os líderes sindicais em seu gabinete e prometeu levar as demandas ao governador e aos demais parlamentares.

A manifestação continuou com uma caminhada da Assembleia até o Palácio Pedro Ludovico Teixeira, onde estava o governador Ronaldo Caiado. Eles não foram atendidos e prometeram voltar se não tiverem respostas.

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