01 Oct. 2019, 16h20

Setor sucroenergético lota Assembleia na defesa dos incentivos fiscais

Presidente da Fieg, Sandro Mabel, alerta para a maior queda nas indústrias nos próximos anos, caso os incentivos fiscais sejam retirados

 


Deputado estadual, Henrique Arantes e presidente da Fieg, Sandro Mabel 

Com o Auditório Costa Lima da lotado de trabalhadores e prefeitos de munícipios que abrigam usinas de álcool, vereadores, deputados e empresários, a Assembleia Legislativa de Goiás realizou terça-feira, 1º de outubro, audiência pública para discutir os incentivos fiscais do setor sucroenergético goiano.

O debate foi proposto pelo deputado estadual Henrique Arantes, após a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a concessão de incentivos fiscais em Goiás anunciar que vai propor a retirada do crédito outorgado do setor sucroalcooleiro.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás, Sandro Mabel, participou do debate e defendeu veementemente a continuação dos incentivos. “Trouxemos empresas para Goiás, que passou a ser acreditado entre os outros Estados. Agora estamos debatendo se os incentivos valem ou não. Quanto custou o emprego criado por incentivos? Sabe quantos empregos iam ter na indústria automobilística se não existissem os incentivos? Zero! Não teríamos nenhum”, enfatizou.

“A indústria sucroalcooleira cresceu porque o Estado disse vem para cá, que nós vamos dar incentivos fiscais para você ter competitividade para vender em São Paulo. Hoje, tem o projeto que quer acabar com os incentivos do álcool anidro. Não tem como vender um litro de álcool anidro se não tiver o incentivo para levá-lo e ser vendido em São Paulo”, observou Sandro Mabel.

O presidente da Fieg lamentou o fato de empresários serem chamados para depor na CPI da Assembleia Legislativa. “Começaram a chamar indústria aí, chamar empresário e tudo mais. Sabe que esse pessoal está fazendo? Indo embora para Minas, para outros Estados.”

Sandro Mabel fez ainda um apelo aos deputados sobre consequências futuras. “Goiás vai ter a maior queda na indústria nos próximos anos. Não cresce o Estado, se não entendermos que o Estado só cresce com os incentivos fiscais. Ninguém tem incentivo fora da lei, tem incentivo porque a lei deu. Os senhores aqui votaram essa lei. Estou com o coração sangrando vendo as empresas indo embora”.

O superintendente de Produção Rural Sustentável da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Donalvam Moreira da Costa, representando o governador Ronaldo Caiado (DEM), disse que não vai ter desindustrialização no Estado. “Vamos ouvir e colocar o governo do Estado à disposição. Não estamos aqui para ficar chorando os problemas financeiros do governo, mas precisamos analisar bem a situação”.

Os deputados presentes se posicionaram contra o fim dos incentivos. Hélio de Sousa (PSDB) frisou que vai reunir assinaturas para pôr fim ao projeto de retirada de incentivos. “Tenho certeza de que todos que estão aqui estão preocupados com a incerteza jurídica que vivemos. A CPI é importante porque ela tem provado que os incentivos fiscais são o combustível que alimenta os empregos e a industrialização do Estado”, afirmou.

Para o deputado Jeferson Rodrigues (Republicanos), a quantidade de empregos gerados pelas indústrias que recebem o benefício é inquestionável. “Nós estaremos aqui buscando o entendimento porque o melhor programa social que existe é gerar emprego e renda”, frisou.

O deputado Wilde Cambão (PSD) disse ser importante discutir o tema  "porque passamos por uma crise, mas não podemos afastar quem gera emprego e renda para nossa gente”.

Já o deputado Zé Carapô (DC) citou como exemplo o desenvolvimento de Jataí com as usinas de cana-de-açúcar. “Poderíamos falar em acabar com os incentivos fiscais se vivêssemos uma realidade utópica com facilidade para produzir, o que não é nossa realidade”, disse.


Vice-presidente da Fieg André Rocha 

O presidente executivo do Sindicato da Indústria de Fabricação de Açúcar do Estado de Goiás (Sifaçúcar) e do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha, apresentou grandes números e ações do setor sucroalcooleiro. Segundo ele, Goiás é o segundo maior produtor brasileiro de cana-de-açúcar e de etanol e está em quarto lugar na produção de açúcar. As usinas estão presentes em 29 municípios goianos. São 35 indústrias em funcionamento, três com atividades suspensas e 13 em recuperação judicial. “Crescemos em 18 anos dez vezes a produção de cana-de-açúcar. Desde 2012 conseguimos ultrapassar Minas em produção”, destacou.

André Rocha mostrou que o setor tem sido o que mais investe em Goiás nos últimos anos. São mais de R$ 20 bilhões. As empresas representam quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial e 7,2 % do PIB total do Estado.

“Na maioria dos municípios que abrigam indústrias, somos os maiores empregadores. São gerados 60 mil empregos diretos e outros 250 mil postos de trabalho indiretos”, frisou.

O presidente executivo do Sifaçucar e Sifaeg alertou que se tirar o crédito outorgado, será retirado 100% dos incentivos. “As usinas vão perder, os trabalhadores vão perder, com os próprios empregos. Todo mundo vai perder, o combustível vai aumentar. O incentivo fiscal, no nosso caso, gera imposto, gera emprego, gera preço. Se tirar os incentivos estamos aumentando a carga tributária para os consumidores”, afirmou.

Também participaram da audiência pública os presidentes da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Otávio Lage Siqueira Filho; e da Comissão de Cana-de-Açúcar da Faeg, Joaquim Sardinha Júnior, o diretor da Usina Anicuns, Doutor Josué; os prefeitos de Quirinópolis, Bom Jesus, Americano do Brasil, Rubiataba, Turvelândia, Ceres, Goianésia e vereadores de Anicuns e Americano do Brasil. (Com informações da Alego). 

 

Escreva um comentário: