08 Feb. 2019, 14h26

Indústria goiana recua 4,5% e anula resultado positivo do ano anterior

Dados foram divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE. Greve dos caminhoneiros, tabelamento do frete e período eleitoral contribuíram para o resultado negativo

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira (8), o recorte por Estados da produção industrial de 2018. Goiás apresentou o pior resultado dentre as regiões pesquisadas, com um recuo de 4,5% no acumulado do ano. Os setores que mais contribuíram para o resultado negativo foram os de produção de derivados do petróleo e biocombustível, especificamente álcool etílico; de produtos alimentícios, com menor produção de açúcar; e de veículos automotores.

Segundo a assessora econômica da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Januária Guedes, Goiás foi um dos últimos Estados a sentir os efeitos da crise econômica e isso fez com que a recuperação da economia local fosse mais tardia também. "Enquanto a maioria dos Estados tiveram queda na produção industrial em 2014, 2015 e 2016, em Goiás a queda foi observada apenas em 2016", ressaltou.

O único setor a apresentar variação positiva, em 2018, foi o de materiais não metálicos, com produção de elementos pré-fabricados para construção, cimentos e concreto, o que indica um possível reaquecimento da indústria da construção.

Apesar do cenário mostrar que a atividade industrial ainda ressente os efeitos danosos da recessão, com dificuldades para uma retomada mais robusta do crescimento, a economista da Fieg considera que a economia goiana começa a dar sinais de recuperação.

"Na análise mensal, quando comparamos a passagem de novembro para dezembro, a atividade industrial goiana apresentou variação positiva de 10,5%, sendo a mais intensa dentre as regiões pesquisadas. Com relação a dezembro do ano anterior, a variação também foi positiva, com 1,1% de crescimento. O que permite vislumbrar uma melhora num futuro próximo", afirma.

Para o presidente da Fieg, Sandro Mabel, a retomada do crescimento da indústria está diretamente ligada à política de atração de investimentos que será adotada pelo Governo Estadual. "Para a indústria goiana voltar a crescer, agora com a recuperação da economia, é fundamental ter estabilidade nos incentivos fiscais. O empresariado precisa ter segurança para retomar os investimentos. Por isso, temos reforçado junto ao governador Caiado a importância de se manter o acordado com o setor produtivo, mantendo-se os incentivos e os contratos assinados", afirma.

O ano de 2018 foi caracterizado por fatores que interferiram diretamente no fraco desempenho da produção industrial, como a greve dos caminhoneiros, o tabelamento do frete e as incertezas que marcaram o período eleitoral no Brasil. "Os acontecimentos trouxeram um cenário de insegurança, prejudicando a retomada dos investimentos. Temos hoje um novo momento e estamos confiantes de que a indústria goiana vai retomar o uso da capacidade instalada", concluiu o presidente da Fieg.

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