09 Jan. 2019, 15h00

Fieg faz balanço da indústria goiana em 2018 e prevê 2019 incerto

Retomada do crescimento econômico do Estado depende das ações ditadas pelos governos estadual e federal neste ano

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vislumbra um crescimento da economia brasileira em 2019, algo próximo de 3%. A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) igualmente tem uma visão otimista para o Estado, que vem apresentando recuperação econômica ainda discreta, mas que pode tornar-se vigorosa a partir do segundo semestre ou mesmo cair na estagnação. Após um 2018 de instabilidades, os rumos da economia goiana serão ditados, mais que nunca, pelo comportamento dos governos federal e estadual.

“Como a economia em todo o Brasil, a indústria também teve um crescimento pequeno em 2018. Estamos com boas perspectivas para 2019. A economia, as bolsas, os industriais e os consumidores estão mais entusiasmados. Com a entrada de Jair Bolsonaro na presidência e de Ronaldo Caiado, no Governo do Estado, temos expectativa que a indústria dê um salto, porque a economia também dará este salto”, avaliou Sandro Mabel (foto), que assumiu a presidência da Fieg em 20 de dezembro para o mandato 2019/2022.

Para que a retomada do crescimento econômico em Goiás se faça robusto, a Fieg considera necessário o efeito de medidas, no âmbito federal, a exemplo de ajuste duradouro nas contas públicas, avanço nas reformas estruturantes, como a previdenciária e a tributária, e a adoção de iniciativas para melhorar o ambiente de negócios, entre as quais a desburocratização.

Nos últimos dias, porém, o cenário ficou nebuloso para o Estado à medida em que o presidente Jair Bolsonaro sancionou o Projeto de Lei n° 10160/2018, que prorroga por mais cinco anos os incentivos fiscais para as empresas instaladas nas áreas das Superintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Nordeste (Sudene), deixando de fora a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). Isso ocorreu pouco menos de um mês após o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter sinalizado para cortes da ordem de até 50% no repasse de recursos para o Sistema S.

Da mesma forma, ocorre com o governo estadual, que anunciou ter encontrado cofres vazios, situação de “colapso financeiro”, como o governador Ronaldo Caiado vem denunciando e apontado a necessidade de fazer cortes e adotar medidas de arrocho econômico e alteração nos incentivos fiscais nas próximas semanas.

O Governo estadual já procurou o Ministério da Economia na tentativa de entrar no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), o que, para Sandro Mabel, não é o melhor caminho a ser seguido. As condições a que Goiás teria de se submeter, na visão do presidente da Fieg, poderia atrapalhar a concessão de incentivos e, com isso, facilitar a concorrência de outros Estados.

“A Fieg não é contra Goiás entrar no RRF. Temos a preocupação que Goiás encare o RRF como única alternativa de solução. Isso engessa o Estado sobremaneira, podendo criar uma condição de, na hora em que a economia der uma deslanchada, Goiás não ter instrumentos para deslanchar também”, explica Sandro. “Não estamos fazendo oposição à decisão do governador (Caiado). Apenas queremos ajudá-lo a encontrar alternativas e mostrar as consequências que possam afetar Goiás. O Estado não pode ser tocado só com a visão do fisco, do caixa. Ele é feito de desenvolvimento e precisamos desenvolver a economia para arrecadar mais”, reitera.

NOVO CICLO INDUSTRIAL
Para Sandro Mabel, a solução para a economia goiana voltar a crescer, é o incentivo à produção, ao desenvolvimento. Para tanto, ele vê a necessidade de políticas que incentivem a industrialização da matéria-prima produzida em Goiás, sobretudo no setor alimentício. 

“Goiás tem uma grande condição de dar um salto em industrialização. Os grãos, que dominam nossa produção e é nosso ouro, não devem ser exportados in natura, como acontece hoje. Temos de criar um novo ciclo de desenvolvimento industrial, criar políticas para industrializarmos estes grãos em Goiás. Isso criaria milhares de empregos, o que será muito bom para o Estado. É nossa grande aposta para um novo ciclo de crescimento em Goiás”, afirmou Mabel, referindo-se ao incentivo fiscal de 5% que Goiás oferece para as exportações.

“Por exemplo, uma trading de Nova York, por computador, emite uma ordem para carregar vários navios de soja de Goiás e manda para a China e acabou. O que essa empresa faz pelo nosso Estado? Nada. Ela tem incentivo para exportar. Sem prejudicar o produtor, temos que acabar com essa farra de incentivo para exportar grãos”, alertou.

CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS
Ainda assim, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), avaliado em novembro pela Fieg/CNI, é o mais alto de 2018 (63,7%). Entretanto, se o País optar por reformas limitadas ou incompletas, a confiança dos empresários e consumidores diminuirá, o que conduzirá o Brasil à estagnação da economia, como ocorreu em 2017 e 2018. O pior, no entanto, é o adiamento ou a opção por não fazer as reformas.

Em 2018, a arrecadação de Goiás ficou estagnada. Diferente do contexto nacional, em Goiás o IPCA (terminou 2018 em 3,67%) diminuiu discretamente em relação a 2017 (3,75%). O setor industrial goiano vem aumentando sua representatividade no PIB nacional – aumentou sua participação de 2,9% para 3,3% do total – e o saldo da geração de emprego foi positivo, aumentando quase 9 mil postos de trabalho, aproximadamente 3 mil a mais em relação a 2017.

Assim como no País, no ano passado, a balança comercial goiana foi desfavorável. As indústrias instaladas no Estado, sobretudo automobilística e farmacêutica, sofreram com a queda de importações – em 2018, caíram 12,1% em relação a 2017 –, o que impactou diretamente na produção, que terminou em queda de 1,4%. Apesar disso, houve crescimento de 0,3% da indústria goiana no ano passado.

Em 2017, a proposta de crescimento para o ano seguinte era bastante otimista. Entretanto, o crescimento não se confirmou na proporção esperada. O adiamento das reformas, sobretudo a da Previdência, a greve que paralisou os transportes no País e o desemprego elevado prejudicaram a recuperação da atividade econômica em 2018. Esses fatos impediram que a inflação baixasse e a queda dos juros tivesse um efeito mais positivo sobre a economia.

O crescimento da economia brasileira em 2018 ficou aquém do estimado no fim de 2017. O PIB do País fechará o ano com crescimento de 1,3%, abaixo dos 2,6% previstos inicialmente. O PIB da indústria também crescerá apenas 1,3%, menos do que os 3% estimados no início do ano. A expansão de 1,3% da economia brasileira está distante do crescimento médio de 3,7% estimado para a economia mundial.

Esse cenário deixa os economistas com um pé atrás no momento de fazer estimativas para 2019. Contudo, a indústria prevê queda na taxa de desemprego, uma inflação em torno de 4,1%, a taxa nominal de juros básicos da economia em 7,50% ao ano no fim de 2019 e a cotação média do dólar em R$ 3,78. A balança comercial deve fechar 2019 com um saldo positivo de US$ 45 bilhões. A dívida pública continuará subindo e deve alcançar 79,5% do PIB. A tendência é de que Goiás siga esse cenário, que se definirá à medida em que os governos federal e estadual desenvolvam suas políticas econômicas.

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